Se você manja muito de um assunto, certamente sofre da famigerada “maldição do conhecimento”.
Essa expressão, cunhada em 1989 pelos economistas Colin Camerer, George Loewenstein e Martin Weber, diz respeito ao viés cognitivo que nos impede de imaginar como era não saber algo, uma vez que já o aprendemos.
O abstrato do experiente versus o concreto do aprendiz
No ensino, isso causa vários problemas. A começar pelo fato que quanto mais sabemos algo, maior o nosso nível de abstração – diametralmente oposto à necessidade de concretude de quem está começando a aprender.
Na prática, torna nossas explicações mais complexas do que o necessário, faz com que deixemos de fora aqueles pedaços óbvios que os alunos precisam aprender – justamente por nos parecerem bobagem – e cria uma enorme distância entre facilitador e aprendiz.
Mas se não encontrarmos os alunos onde eles estão, nunca poderemos guiá-los para onde precisam chegar.
Encontrar os aprendizes onde estão
Especialmente num primeiro momento, você vai ter que enfrentar o medo de parecer simplista e lembrar que aprendizagem é um percurso. Ninguém faz equação de segundo grau sem somar 2+2!
Mas é importante tomar cuidado para não cair no problema oposto e partir de um nível básico demais para aquela turma. O Flow, estado definido pelo psicólogo Csikszentmihalyi como aquele em que estamos plenamente envolvidos em uma tarefa e motivados a continuar nos desempenhando nela, é crucial para o aprendizado. E, para que ele exista, é importante que haja um equilíbrio entre as habilidades existentes e o desafio proposto.
Pouca habilidade com muito desafio causa só ansiedade, mas muitas habilidades para pouco desafio resulta em tédio e desengajamento.
Nem uma visão limitada, nem bola de cristal: como mapear o nível dos alunos
Trago boas notícias! Para encontrar os alunos onde estão, não é sequer necessário que contemos com a nossa própria memória pra isso.
Seres humanos vêm de diferentes lugares, com diferentes repertórios e pontos de partida – especialmente na educação para adultos. E isso é ótimo.
Por isso, começamos pelo que eles mesmos já sabem (ou imaginam) e partimos daí.
Essa descoberta pode ser feita por meio de pesquisas pré-curso, mas também na própria estrutura das aulas, por meio de dinâmicas diversas – idealmente, ambos.
Seguir o caminho reverso, aliás, é um ótimo jeito de engajar os alunos no conhecimento. Em vez de explicar ⇒ demonstrar ⇒ propor algum exercício, podemos adotar um modelo de aprendizagem experiencial, como propunha Kolb, por exemplo.
Apesar dos métodos conteudistas aos quais muitos de nós fomos submetidos, ensinar trata-se mais de puxar o aluno, de convidá-lo a percorrer um caminho de aprendizagem, do que empurrar conceitos pra que ele só decore.
Considerar outras experiências e vivências paralelas que o aprendiz tenha, vai ajudar a transpor conceitos mais complexos, facilitando o ensino, sem que você precise abraçar o simplismo – e ainda tornar as aulas muito mais interessantes.
Quer construir experiências que transformam informação em aprendizagem? Descubra como podemos te ajudar!